Horário de Verão

publicado 03/06/2018 09:51, modificado 03/06/2018 09:51

por Luiz Himer Campos*

-Nos meses de verão, o Sol nasce antes que parte da população inicie suas atividades. Quando o relógio é convenientemente adiantado, a luz natural dos dias é mais bem aproveitada, e as pessoas passam a consumir mais energia fornecida pela natureza.

É exatamente aí que nasce o horário de verão, que consiste na alteração temporária do horário habitual, levando à economia de energia elétrica e ao alívio de carga no horário de ponta do sistema.

O horário de verão foi idealizado por Benjamin Franklin, em 1714, o qual, entretanto, não conseguiu convencer o governo dos Estados Unidos a implantá-lo. O primeiro país que o adotou foi a Alemanha, em 1916. Acabou sendo instituído nos EUA em 1918. No Brasil, foi estabelecido por decreto em 1931 (Governo Vargas), mas de forma descontinuada por vários períodos. Foi reinstituído em 2008 pelo Decreto 6.558, que lhe fixa o início a zero hora do terceiro domingo de outubro e o término a zero hora do terceiro domingo de fevereiro. Hoje é adotado por cerca de trinta países.

No Brasil, o horário de verão concorre para uma melhor programação de carga do sistema elétrico, reduzindo a demanda máxima no horário de maior exigência de carga, acarretando ganhos em confiabilidade e segurança do sistema. O maior consumo de energia elétrica no nosso país ocorre entre as 17 e 22 horas dos dias úteis, o chamado horário de ponta do sistema elétrico. O sistema precisa receber continuamente muitos investimentos para manter a capacidade de suprir os acréscimos de demanda. O pico de demanda por energia elétrica ocorre porque o consumo se aproxima da capacidade do sistema durante esse horário. Tal situação aumenta o risco de haver interrupções. Com a introdução do horário de verão, busca-se reduzir estas ocorrências através de uma melhor programação de cargas.

O horário de verão é muito conveniente sob o ângulo da economia de energia, pois permite aproveitar, em maior intensidade, a energia solar. Além disso, preserva o meio ambiente, ao reduzir a utilização de combustíveis na geração de energia, reduz o consumo de materiais da iluminação artificial e até a implantação de novas geradoras térmicas para garantir o suprimento nas horas de pico do sistema elétrico.

Com relação à economia, alguns estimam, em média, 5% da capacidade total do sistema, ou cerca de 2.000 MW, o equivalente ao funcionamento de uma grande hidrelétrica durante esse período. Uma hidrelétrica desse porte exigiria grandes investimentos, inundaria grandes áreas de terras, traria alguns inconvenientes ecológicos e custos operacionais que devem ser levados em conta, além de levar cerca de cinco anos, em média, para ser construída.

No início do horário de verão os relógios são adiantados em uma hora. É como se o dia ficasse mais longo e a noite mais curta. O relógio biológico tem que se adaptar a essa mudança que, segundo especialistas, ocorre em uma semana mais ou menos. Considerando apenas o aspecto pessoal, a opinião da população quanto ao horário de verão se divide: alguns o consideram positivo, pois ganham espaço para mais atividades diárias; outros o veem com olhos críticos, centrando as observações em dificuldades de adaptação.

Como há muito mais dificuldade em fornecer energia no horário de maior demanda do sistema, o chamado horário de ponta, que ocorre entre as 17 e 22 horas dos dias úteis, a ANEEL estabeleceu normas que permitem às concessionárias cobrarem um preço muito maior pela energia consumida nesse horário, ou seja, cerca de 650% a mais.

No caso do Tribunal, os prédios maiores, onde se consome muita energia, dispõem de subestação própria, cujos equipamentos exigem cuidados especiais e criteriosa manutenção especializada. Tal arranjo proporciona muita economia, obtendo tarifação mais favorável junto à distribuidora de energia e pagando bem menos pela energia. Porém, há vários tipos de tarifa possíveis e a opção exige grande atenção e um estudo técnico aprofundado, que leva em conta vários aspectos, especialmente o comportamento da carga de cada subestação e suas características, além do acompanhamento permanente de sua evolução. Os prédios menores, do interior especialmente, são supridos em baixa tensão.

O Tribunal negociou com a CEMIG um horário de ponta específico, menor que o do sistema, iniciando às 18 e finalizando às 21 horas. Portanto, o custo do consumo nesse horário é quase sete vezes superior ao custo do consumo nos demais horários e, embora a atividade nos prédios tenda a diminuir a partir das 18 horas, esse custo ainda é importante na composição da conta de energia. Durante o horário de verão, o horário de ponta do Tribunal é avançado em uma hora, com a tarifação de maior custo passando a vigorar a partir das 19 horas.

Ainda que controvertido, o horário de verão proporciona muitos benefícios coletivos para o país e para os consumidores mais expressivos de energia.

 

Dicas

  • Fica a sugestão de que o horário de trabalho não se estenda para depois das 19 horas, pois o custo da energia se eleva muito a partir desse horário.
  • Evite utilizar equipamentos de maior consumo de energia entre as 17 e 22 horas, como, por exemplo, o ferro elétrico.
  • Instale coletores solares para a utilização da energia solar para o aquecimento de água.
    Opte pelo banho de chuveiro elétrico fora do horário de 17 às 22 horas. Se não for possível, o banho não deve ser demorado.
  • Apague a luz quando sair do ambiente. No caso de lâmpadas fluorescentes, apague somente se for permanecer fora do local por mais de 15 minutos. Caso contrário, você irá reduzir sua vida útil.
  • Instale filtros de linha nos locais onde estão conectados aparelhos que não são de uso contínuo, como receptores de TV a cabo, TV, DVD, entre outros, mantendo-os desligados. Além de economizar energia, você garantirá a segurança dos seus equipamentos.
  • Revise periodicamente suas instalações elétricas.

 

*Luiz Himer Campos é servidor da Diretoria de Engenharia do TRT, engenheiro eletricista diplomado pela Escola de Engenharia da UFMG.

Responsabilidade Socioambiental socioambiental [arroba] trt3.jus.br