Etarismo: a discriminação por idade também é violência institucional

A discriminação em razão da idade, conhecida como etarismo, é uma forma de violência frequentemente naturalizada nas relações sociais e profissionais. No ambiente de trabalho, ela pode ocorrer de maneira explícita ou sutil, por meio de comentários depreciativos sobre envelhecimento, exclusão de atividades, retirada injustificada de atribuições, resistência à participação de pessoas mais velhas em projetos inovadores ou associação automática entre idade e incapacidade técnica.
Frases como “já está perto de aposentar”, “essa tecnologia é muito complicada para ele(a)” ou “precisamos de pessoas mais jovens para esse setor” parecem inofensivas à primeira vista, mas reforçam estigmas discriminatórios que desvalorizam trajetórias profissionais e comprometem a inclusão no ambiente institucional. O etarismo também se manifesta quando a experiência acumulada ao longo dos anos deixa de ser reconhecida e passa a ser tratada como obstáculo ou sinal de obsolescência.
A Resolução CNJ n. 351, de 28 de outubro de 2020 estabelece que todas as formas de discriminação devem ser prevenidas e enfrentadas no âmbito do Poder Judiciário, incluindo discriminações relacionadas à idade, gênero, raça, deficiência, religião, orientação sexual ou condição social. A política instituída pelo CNJ parte do reconhecimento de que ambientes organizacionais saudáveis exigem respeito à diversidade humana e valorização das diferentes trajetórias profissionais.
A Constituição Federal assegura a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a vedação de práticas discriminatórias. Além disso, o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003) estabelece que nenhuma pessoa pode sofrer discriminação em razão da idade, inclusive nas relações de trabalho. O respeito à experiência profissional não representa apenas cumprimento de dever legal, mas também reconhecimento do valor institucional construído ao longo dos anos de atuação profissional.
O etarismo produz impactos relevantes na saúde emocional, no sentimento de pertencimento e na autoestima das pessoas atingidas. O isolamento profissional, a invisibilização e a desvalorização da experiência podem gerar adoecimento psicológico, insegurança e perda de vínculos institucionais. Por outro lado, ambientes intergeracionais saudáveis favorecem troca de conhecimentos, fortalecimento da memória organizacional, cooperação entre equipes e maior equilíbrio institucional.
Promover respeito às diferentes gerações significa reconhecer que inovação e experiência não são conceitos opostos. Ambientes institucionais verdadeiramente inclusivos são aqueles capazes de valorizar a pluralidade de trajetórias, perspectivas e conhecimentos, assegurando tratamento digno e respeitoso a todas as pessoas.