Escola Judicial apresenta obra de Alaíde Lisboa para pessoas com deficiência intelectual
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Resumo em texto simplificado
O Clube do Livro celebrou o Dia do Contador de Histórias recebendo alunos da Escola Especial Frei Leopoldo para uma tarde de inclusão e arte. A escola atende pessoas com deficiência intelectual. A contadora Alessandra Visentin e o músico João de Ana apresentaram a vida e obra de Alaíde Lisboa, promovendo total interação com os estudantes.A programação encerrou-se com a história "As Aventuras da Super-Respeito", focada no combate à discriminação e na educação para a equidade. A iniciativa integrou as celebrações do mês da mulher e antecipou as homenagens pelo Dia Internacional da Síndrome de Down.
Saiba mais sobre esta iniciativaO Clube do Livro desta sexta-feira (20/03) foi dedicado às alunas e aos alunos da Escola Municipal de Ensino Especial Frei Leopoldo, que atende a pessoas com diversos tipos de deficiência intelectual. A vida de Alaíde Lisboa e contos da escritora foram transmitidos pela contadora de histórias Alessandra Visentin, que se apresentou acompanhada pelo músico João de Ana, na voz e no violão.
A atividade, que integra a programação do Mês da Mulher, aconteceu no Dia Internacional da Contadora e do Contador de Histórias, e na véspera do Dia Internacional e Nacional da Síndrome de Down. Participaram alunas e alunos, professoras, profissionais de apoio ao educando e estagiária.
Interação com estudantes
Desde as primeiras falas, a apresentação foi marcada pela interação com os estudantes, que a todo momento eram chamados a se manifestar. O coordenador acadêmico da Escola Judicial, juiz Bruno Alves Rodrigues, dirigiu-se aos alunos para manifestar a alegria que sentiu ao recebê-los. Nesse mesmo sentido, a coordenadora do Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, juíza Jéssica Grazielle Andrade Martins, falou da presença deles como fator de transformação para todos.
A dupla de artistas iniciou sua performance contando a história de Alaíde Lisboa, apresentada como uma “menina que gostava de plantar sonhos”. Depois, em interação com o público, foram escolhidas obras da escritora.
Ao final, foi contada a história “As Aventuras da Super-Respeito”, que trata de uma super-heroína que promove a educação para diversidade e o combate à discriminação. O texto é oriundo de uma cartilha com esse nome, elaborada por iniciativa do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade do TRT-MG e do Programa Resolução de Conflitos e Acesso à Justiça pela Via dos Direitos da UFMG (Recaj/UFMG), em autoria conjunta de Ariadne Fernanda Martins Alves, Júlia de Souza Carvalho, Rafaela Maria Souza Carvalho e Renata de Oliveira Barbos.
Inclusão e valorização
A aluna Andrea Belardini ficou empolgada ao revelar que gostou muito da história e da música. “Fiquei muito feliz, muito alegre, amei”, resumindo assim o que sentiu em participar das atividades. O mesmo sentimento foi trazido pelo aluno Marcelo Barbosa, que deu nota dez para a apresentação: “Ela contou as histórias direitinho, valeu a pena ter vindo”.
Para a coordenadora de turno da escola, que acompanhou a turma, Valeria Zucarato, a atividade desenvolvida ajuda no desenvolvimento dos alunos, tanto no aspecto cognitivo, quanto no social e no emocional. “Eles se sentem valorizados, importantes, gostam de contar para as famílias, para os outros colegas que não vieram”, diz a professora. Ela avalia que há uma evolução gradual da sociedade para a inclusão dessas pessoas.
A coordenadora do Centro de Memória da Escola Judicial do TRT, Maria Aparecida Carvalhais, que atuou na promoção do evento, diz que a iniciativa está inserida no programa de ação educativa que já vem sendo desenvolvido pela instituição e entende esse papel como uma obrigação social. “Está dentro das nossas possibilidades de trabalho e é uma emoção receber uma turma dessas, algo muito especial para a gente”, revela.
O sentimento é compartilhado com a coordenadora da biblioteca do Tribunal, Marcia Pimenta, também promotora do evento, que enfatizou a importância da sensibilidade envolvida ao cumprir esse papel. “Eu acredito que a arte, como a música e a contação de histórias, é um despertar, é algo que deve fazer parte de nossas vidas, porque nós somos um ser completo”, opinou.
O coordenador acadêmico da Escola Judicial, juiz Bruno Alves Rodrigues, enfatiza a potência que a arte tem: “Ela nos marca de forma indelével, para todo o sempre, e tenho certeza de que foi uma tarde inesquecível, não só para eles, mas para todos nós.” De acordo com o magistrado, todos saíram do evento transformados, pois a tarde foi de profunda humanização.
Para a coordenadora do Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, juíza Jéssica Grazielle Andrade Martins, foi uma oportunidade de treinar o nosso olhar para estar sempre atentos perante aqueles que têm limitações e que têm essa necessidade e se expressar a todo momento. É uma forma, segundo a magistrada, de tomar consciência das nossas diferenças.
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