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Acordo pode solucionar greve de trabalhadores da educação de Belo Horizonte nesta quarta-feira

publicado: 09/03/2026 às 18h19 | modificado: 09/03/2026 às 19h09

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Resumo em texto simplificado

Audiência coordenada pelo 1º vice-presidente do TRT, desembargador José Marlon de Freitas, com trabalhadoras e trabalhadores terceirizados de escolas do município, a empresa contratante MGS e a Prefeitura de Belo Horizonte, com a participação do Ministério Público do Trabalho, avançou na construção de uma proposta que pode encerrar a greve da categoria a partir da próxima quinta-feira. A expectativa é formalizar o acordo em nova audiência a ser realizada nesta quarta-feira (11/3) às 9h30.

Saiba mais sobre esta iniciativa

O TRT mineiro promoveu, no início da tarde desta segunda-feira (9/3), uma audiência de mediação para debater a possibilidade de uma solução à greve promovida desde o dia 23 de fevereiro por trabalhadoras e trabalhadores terceirizados que prestam serviço nas escolas públicas da rede municipal da capital.

Audiência de mediação com os trabalhadores da educação de Belo Horizonte
Audiência de mediação com os trabalhadores da educação de Belo Horizonte

A sessão coordenada pelo 1º vice-presidente do Tribunal, desembargador José Marlon de Freitas, contou com a participação de representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), da empresa MGS - Minas Gerais Administração e Serviços S.A., do Município de Belo Horizonte e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Após as partes se manifestarem livremente, o diálogo avançou para a perspectiva de uma conciliação. Partindo de premissas apresentadas pelas partes, o procurador Hélder Santos Amorim, do MPT, pontuou itens de uma proposta de acordo a ser analisada por todos. A expectativa é alcançar uma solução em nova audiência a ser realizada a partir das 9h30 da próxima quarta-feira (11/3). O procurador do município Flávio Freire ficou de levar a proposta apresentada aos representantes do governo municipal, e o sindicato, de levá-la à apreciação da categoria. O representante da MGS manifestou concordância com os pontos apresentados. Caso o acordo seja alcançado, assembleia geral prevista para o mesmo dia (11/3) poderá encerrar a greve.

Entenda a situação

O conflito surgiu a partir da prevista rescisão do contrato da Prefeitura com a MGS, que é a empresa contratante das trabalhadoras e dos trabalhadores atualmente em greve que atuam nos serviços de limpeza, portaria e cantina. Com o intuito de contratar novas empresas para a prestação desses serviços, a Prefeitura realizou licitação que teve seus efeitos suspensos a partir de uma liminar obtida na última semana junto à Justiça Estadual.

Após a decisão judicial, o sindicato afirma que as trabalhadoras e os trabalhadores das cantinas foram informados que seriam recontratados via contrato emergencial por outra empresa. A entidade também informou que trabalhadores teriam sido convocados por organizações da sociedade civil de interesse público (conhecidas como Oscips) a participar, de forma obrigatória, de cursos fora da jornada de trabalho.

A situação gerou incerteza entre os trabalhadores, tanto sobre a garantia de seus postos de trabalho, quando em relação à validade de acordo coletivo realizado previamente com a MGS.

O representante do MPT lembrou que a contratação dos trabalhadores pela MGS, uma empresa pública, foi em processo de seleção previsto a partir de uma ação judicial, e colocou em dúvida a regularidade do eventual repasse dessas prestadoras e desses prestadores de serviço para uma empresa privada.

Proposta de acordo

A proposta de acordo prevê:

  1. O pagamento, pela MGS, das horas paradas durante a greve ao longo de março, com compensação de serviço por meio do banco de horas;

  2. A negociação, junto à Prefeitura, do reembolso dos descontos já aplicados referentes às horas paradas de fevereiro;

  3. A apresentação, pelo Município, de esclarecimentos por escrito sobre a possível transferência das trabalhadoras e dos trabalhadores para outras empresas.

Trabalhadoras organizadas pelo Sind-Rede presentes à audiência de mediação
Trabalhadoras organizadas pelo Sind-Rede presentes à audiência de mediação

Junto a essas propostas, a MGS, que na situação gerada durante a vigência da liminar se mantém como empregadora, manifestou que manteria o atual quadro de prestadores e garantiu o acordo que garante reajuste de 7,5% no salário e no vale-alimentação, exceto para serventes, mecanógrafos e artífices, para os quais garante que o reajuste salarial seria de 7%, com diminuição do desconto relativo ao valor do vale-refeição, de 20% para 1% e diminuição da jornada semanal para 40 horas.

Presentes à sessão

Significativo contingente da categoria compareceu às dependências do Tribunal, sendo que parte dos presentes aguardou em frente ao edifício-sede, participando de uma manifestação com carro de som, e algumas dezenas de trabalhadoras e trabalhadores acompanharam a audiência ao vivo no plenário onde ocorreu a sessão.

O SindRede foi representado pelos diretores Daniel Lages Wardil e Vanessa Portugal Barbosa, além da advogada Luciene de Jesus Nascimento. A MGS foi representada pelo seu assessor-jurídico chefe Helter Verçosa Morato e pelo advogado Fávio Augusto Alverni de Abreu. Pelo município de Belo Horizonte, além do procurador citado, esteve presente o procurador Carlos Eduardo Simões.

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