Acordo no TRT/MG põe fim à greve de metalúrgicos em Betim

publicado 29/01/2016 15:27, modificado 29/01/2016 17:27

Acordo celebrado em audiência de instrução de dissídio coletivo conduzida pelo 1º vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, desembargador Ricardo Antônio Mohallem, pôs fim a uma greve que já durava mais de uma semana. Cerca de 500 trabalhadores da empresa SAE Towers Brasil Torres de Transmissão, com sede em Betim - Região Metropolitana de Belo Horizonte - estavam de braços cruzados desde o dia 19 de janeiro, reivindicando reajuste salarial.

Na última terça-feira (26), foi realizada audiência, na Secretaria de Dissídios Individuais e Coletivos (SDCI) do TRT/MG, com representantes da empresa e do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região para tentar um acordo entre as partes e colocar fim à paralisação. Depois de cinco horas de conversa, o desembargador Ricardo Antônio Mohallem, com muita habilidade, conseguiu acalmar os ânimos e chegar a um consenso. Durante a audiência, dezenas de metalúrgicos se reuniram na frente do prédio do TRT/MG e gritaram palavras de ordem.

A proposta de acordo foi levada à assembleia da categoria, que ocorreu nesta quarta-feira (27), e foi aceita por unanimidade. Como o processo de dissídio coletivo de greve foi proposto pela empresa, que pediu antecipação de tutela, ela deveria entrar com pedido de desistência para pôr fim à ação, o que foi feito na manhã desta sexta-feira (29). Os metalúrgico já voltaram ao trabalho.

Para o magistrado que conduziu a audiência, o mérito pela solução pacífica do impasse foi da empresa e dos trabalhadores, pois "foram eles que tiveram boa fé para firmarem um diálogo e entrar em consenso". No entanto, ele também ressaltou a importância do papel do Estado como mediador de conflitos. "Quando o Estado, na forma do Poder Judiciário, coloca-se à disposição para ouvir anseios de trabalhadores e empregados, fica muito mais fácil encontrar uma solução que atenda as duas partes", disse.

Ainda segundo o desembargador, solucionar conflitos é a função mais nobre do Poder Judiciário. Para isso, tanto a SDCI quanto as Centrais de Conciliação de 1º e 2º Graus contam com magistrados abnegados e servidores muito dedicados e que fazem seu trabalho com prazer. "Uma das sílabas da palavra 'acordo' nos remete à palavra 'coração' e é exatamente agindo com o coração que magistrados e servidores dos núcleos de conciliação conseguem ter a sensibilidade para encontrar e solucionar as questões que impedem as partes de terem uma relação normal de trabalho", acrescentou. (Samuel Almeida)

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