Justiça e Cidadania se junta ao Trabalho Seguro para conscientizar jovens sobre prevenção de acidentes
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Resumo em texto simplificado
O Programa Justiça e Cidadania realizou uma edição especial em parceria com o Programa Trabalho Seguro, dentro da campanha Abril Verde, para conscientizar jovens sobre prevenção de acidentes de trabalho. Adolescentes participaram de atividades educativas, incluindo explicações sobre a Justiça do Trabalho e uma visita guiada à Exposição Trabalho e Cidadania, que trata sobre a história das relações de trabalho no Brasil. Também houve a simulação de uma audiência trabalhista, conduzida por um desembargador, abordando conceitos como responsabilidade e direitos trabalhistas.
Saiba mais sobre esta iniciativaO Programa Justiça e Cidadania promoveu uma edição especial nesta quinta-feira (23/4), em conjunto com o Programa Trabalho Seguro por ocasião da campanha Abril Verde, voltada à prevenção de acidentes de trabalho e do adoecimento profissional. Uma turma com 42 adolescentes de 14 a 16 anos do Educandário e Creche Menino Jesus foi recebida no Tribunal para participar da programação oferecida aos jovens. A instituição de ensino promove o Projeto Capacitar, que prepara jovens em situação de vulnerabilidade para entrar no mercado de trabalho.
Logo no início da atividade, a servidora Juliana dos Santos deu uma explicação sobre a atuação da Justiça do Trabalho, como tramitam as reclamações trabalhistas e as instâncias para as quais é possível recorrer.
Na sequência, o grupo foi convidado para uma visita guiada à Exposição Trabalho e Cidadania. O estudante de História e estagiário do Centro de Memória, Daniel Soares Calixto, conduziu os estudantes pelas diversas relações de trabalho vivenciadas no Brasil ao longo do tempo e apresentadas na exposição, com textos, gravuras, fotos e vídeos.
Uma trajetória que se iniciou com o trabalho ligado à subsistência, nos povos que habitavam o território antes da colonização, e apresenta os diferentes contextos posteriores de exploração e acumulação privada: com a escravização dos aborígenes, dos negros e dos imigrantes; o início do trabalho assalariado, as conquistas na Era Vargas, o ataque aos sindicatos na ditadura militar, os direitos inscritos na Constituição de 1988, o neoliberalismo e as polêmicas geradas por propostas atuais para o avanço de direitos trabalhistas.
Aprendizado com audiência simulada
Ao final, como sempre acontece nas edições do programa, foi realizada a simulação de uma audiência em que os estudantes se colocam no papel das partes, dos advogados, das testemunhas e do secretário de audiências. Desta vez, a condução ficou a cargo do gestor regional do Programa Trabalho Seguro, desembargador Marcelo Pertence. O magistrado, ao mesmo tempo em que mostrou ao grupo como se desenvolve o rito da audiência, deu explicações sobre noções de responsabilidade objetiva e subjetiva, sobre dano material e moral, além de criticar a monetarização da vida, em que o valor da vida humana é submetido a planilhas de cálculo onde o risco é calculado apenas a partir da lógica do lucro.
O caso fictício apresentado na audiência trata de um motorista de caminhão que, depois de ter sido readaptado e afastado da direção por adoecimento psicológico e incapacidade para a atribuição, volta a exercer a antiga atividade e acaba sofrendo um acidente.
Avaliações da atividade
Para o desembargador que coordenou a audiência simulada, envolver a juventude nesse tipo de atividade serve para mostrar que o trabalho deve ser digno e decente, e para fazer com que as pessoas passem a valorizar mais a forma de sobrevivência e a forma do trabalho, principalmente num mundo em que quem vive do trabalho está cada vez mais desprestigiado. “Existe uma política mundial de desregulamentação do trabalho e, consequentemente, as mazelas ligadas ao trabalho aparecem de forma mais acentuada”, afirmou o magistrado.
O estudante Samuel Coelho, de 16 anos, acredita que participar do Projeto Justiça e Cidadania é uma forma de olhar para o futuro. “A gente não está aqui só aprendendo, olhando, explorando. A gente está olhando para o nosso futuro, para quando a gente crescer, que possamos ter o nosso direito garantido, que possamos trabalhar de forma digna”, opina ele.
Para Ludimila Rodrigues, de 15 anos, a atividade serviu para entender melhor quais são os seus direitos e a quem pode recorrer. Como alguém que está entrando no mercado de trabalho, ela acredita que é super importante entender o que é certo e o que não é, para não sofrer desgaste mental e poder ser uma boa funcionária.
A coordenadora pedagógica do Educandário, professora Carla Cristina Alves Rodrigues, avalia que a experiência serviu para que os jovens possam se empoderar em relação ao Direito do Trabalho, e que isso vai fazer toda a diferença. “Eles vão entender que ser um profissional não é se sujeitar a qualquer trabalho e de qualquer maneira. Vão valorizar mais o trabalho deles e a segurança nesse ambiente de trabalho”, disse ela. Outro aspecto positivo apontado pela professora é a possibilidade que os jovens têm de ensinar tudo isso aos pais e à família.
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