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Evento reúne catadores e entidades para o lançamento da nova edição do Projeto ReciclaBelô

publicado: 12/02/2026 às 19h16 | modificado: 13/02/2026 às 09h07

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Resumo em texto simplificado

O lançamento do Projeto ReciclaBelô, com a trabalhadores da coleta de resíduos recicláveis e representantes de instituições públicas, aconteceu na tarde desta quinta-feira (12/02) no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. O projeto irá garantir remuneração, alimentação, equipamentos de proteção e infraestrutura para os catadores da capital mineira durante o carnaval.

Saiba mais sobre esta iniciativa

O Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte reuniu, na tarde desta quinta (12/2), dezenas de trabalhadores da coleta de resíduos recicláveis e representantes de instituições públicas no lançamento do Projeto ReciclaBelô. O TRT mineiro, que é instituição parceira da iniciativa, foi representado pela juíza gestora de 1º grau do Programa Trabalho Seguro, Ângela Castilho Rogêdo Ribeiro. Durante o evento, quatro catadores receberam o kit que será disponibilizado para todos os participantes do projeto, contendo equipamentos de proteção como luvas, capa de chuva, tênis, protetor solar, boné e camiseta.

A juíza Ângela Rogêdo falou da alegria de poder sentir, no evento, a energia desses trabalhadores tão especiais para a comunidade. Ela lembrou de uma visita que fez à Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), que também integra o projeto, e de como ficou preocupada em garantir um trabalho mais digno e decente. A magistrada opinou que o projeto vem melhorando a cada edição, mas que é necessário avançar mais. “Ainda é muito pouco, queremos mais equipamentos de proteção individual, mais creches, mais proteção. Contem conosco para que o projeto cresça a cada ano”, disse a representante regional do Programa Trabalho Seguro e do TRT mineiro. 

Juíza Ângela Castilho Rogêdo Ribeiro representando o TRT-MG no eventoJuíza Ângela Castilho Rogêdo Ribeiro representando o TRT-MG no evento

O ReciclaBelô irá remunerar cerca de 500 trabalhadores da coleta de resíduos recicláveis com uma diária de R$ 150 durante o carnaval, além de fornecer alimentação e kits de proteção para o trabalho. Além disso, o projeto também é responsável pela instalação de quatro centrais de coleta e pré-triagem, com tendas, jogo de mesa e cadeiras, água, gelo, caixas térmicas, energia elétrica e segurança 24h. Neste ano, pela primeira vez, os filhos dos catadores com idade entre 4 e 11 anos serão atendidos por monitores disponibilizados pela prefeitura, com direito a recreação, cuidados e alimentação.

O evento deu ênfase para o avanço que o projeto vem tendo desde a primeira edição, em 2024. As autoridades deram destaque para os diferentes aspectos abrangidos na iniciativa, como a garantia de maior dignidade para o trabalho dos catadores e a importância dessa atividade para a sustentabilidade e o meio ambiente. Outro ponto presente nas falas foi o da valorização e inclusão social de trabalhadores, muitas vezes invisibilizados ou discriminados.

Mudança na imagem dos catadores

O prefeito de Belo Horizonte comentou que essa é uma ação ligada ao carnaval que lhe traz muito orgulho, e que o projeto está em consonância com a ideia que ele tem de um carnaval seguro e tranquilo que traz alegria. “Catadores sempre foram vistos como parceiros da prefeitura, pois nos ajudam a limpar a cidade, coisa que muita gente graduada, que joga a sacola pela janela do carro, não faz”, afirmou Álvaro Damião. O governante aproveitou para anunciar um projeto de lei do Executivo municipal para custear o trabalho dos catadores com recursos recolhidos de supermercados e empresas responsáveis por produzir o material a ser reciclado.

O ReciclaBelô também recebeu elogios da presidente da Cooperativa Solidária de Trabalhadores e Grupos Produtivos da Região Leste (Coopesol Leste), Vilma Castilhos. Ela lembrou que o catador antes era visto como desdém, e passou a ser visto como referência, como alguém que consegue administrar seu próprio negócio. “Cada carnaval para a gente é um desafio. A gente está conseguindo conquistar, por meio da luta, o princípio da dignidade humana, e isso é essencial para nós”. Castilhos definiu o ReciclaBelô como uma união de forças para garantir dignidade, renda e segurança, e defendeu que essas condições de trabalho passassem a ser garantidas não só para a época do carnaval. 

“Ninguém sabe o que é trabalhar o dia inteiro para poder juntar R$ 40”, desabafou a representante da Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli Barreiro), Neli Medeiros, ao defender o projeto como fonte de dignidade para a categoria. Ela aproveitou para sugerir uma proposta para a contratação de trabalhadores para a triagem.

Público presente ao lançamento do projeto ReciclaBelôPúblico presente ao lançamento do projeto ReciclaBelô

Também estavam presentes o superintendente de Limpeza Urbana de Belo Horizonte (SLU/BH); Breno Serôa da Motta; o secretário estadual de Meio Ambiente, Lyssandro Norton Siqueira; a diretora-presidente da Companhia Mineira de Água e Esgoto (Copasa), Marília Carvalho de Melo; e representantes da Associação de Recicladores de Belo Horizonte (Associrecicle), da Asmare, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público de Minas Gerais e do Serviço Social Autônomo (Servas)

Importância do projeto

ReciclaBelô é considerado o maior projeto de inclusão de catadores autônomos no carnaval do país. O período traz à capital mineira um aumento de 10% no volume de material reciclado pelas associações e cooperativas que participam do projeto. Belo Horizonte hoje tem um dos maiores carnavais do país.

O projeto associa o compromisso com a promoção de direitos e de dignidade nas condições de trabalho, um dos objetivos perseguidos pela Justiça do Trabalho mineira por meio do Programa Trabalho Seguro, à importância estratégica com a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Liderado pelos próprios catadores organizados em suas entidades, é uma iniciativa para enfrentar a situação de extrema vulnerabilidade social daqueles que atuam de forma isolada, sem remuneração e estrutura adequada. Nas últimas edições, trouxe um aumento mensal na remuneração desses trabalhadores calculado entre 150% e 180%.

Combina-se assim a ideia de justiça social com a de justiça ambiental, beneficiando, ao mesmo tempo, um público de trabalhadores composto majoritariamente por pessoas negras que dependem dessa atividade para a sua sobrevivência, e a sociedade, que demanda políticas de sustentabilidade ambiental.

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