Ciclo de Formação discorre sobre humildade e saúde

publicado 05/07/2016 12:26, modificado 05/07/2016 15:26
Ciclo de Formação discorre sobre humildade e saúde (imagem 1)

"O apoio psicológico ou psiquiátrico é um misto: de humildade, para perceber que a gente não se basta, e de coragem, para assumir isso, buscar o suporte profissional e seguir em frente." Com esse ensinamento, a desembargadora do TRT da 3ª Região e conselheira da Escola Judicial Taísa Maria Macena de Lima explicou, nesta terça -feira (05), durante a abertura do segundo dia do Ciclo de Atividades para a Formação Inicial Complementar de Magistrados, a importância de se buscarem os apoios psicológico e psiquiátrico disponibilizados pela Secretaria de Saúde do Tribunal a todo seu corpo funcional.

Antes de apresentar os instrutores da manhã, a desembargadora falou de suas impressões sobre o tema: "para mim, a abordagem da matéria (saúde do magistrado) é particularmente importante, porque venho de uma época em que buscar apoio psicológico ou psiquiátrico era um tabu. As pessoas que ousavam pedir esse apoio eram olhadas de forma diferente". Para ela, esse apoio hoje disponível "é essencial para a construção do ser humano e, consequentemente, para o exercício da magistratura".

Causas do adoecimento

Em sua abordagem sobre a saúde do magistrado, Geraldo Mendes Diniz, médico do trabalho, psiquiatra e diretor da Secretaria de Saúde do TRT da 3ª Região, destacou, como causas do adoecimento das pessoas em todo o mundo, a alimentação incorreta, a falta de exercícios físicos e de vacinação, a não realização de exames periódicos e o uso de drogas lícitas e ilícitas.
Tratando do caso específico do TRT de Minas, o diretor informou que apenas 22% dos nossos magistrados têm feito exames periódicos, o que é muito preocupante, segundo ele, pois o exame é fundamental na prevenção de doenças. Além disso, no entender do médico-dirigente, quando o gestor adere ao exame, ele acaba por estimular toda a equipe a fazer o mesmo.

Voltando à população global, atestou que 40% das pessoas acima de 15 anos consomem bebida alcoólica. Desse percentual, 1/3 faz uso abusivo dessa droga. Geraldo Mendes também citou dados segundo os quais 40% dos acidentes e agressões têm relação com o consumo de álcool ou outras drogas.
Ao abordar o tema Saúde Mental, o médico alertou que, quando um gestor adoece, é comum causar o adoecimento também de sua equipe. Segundo ele, para evitar o adoecimento mental, devemos usar nossa inteligência e procurar coisas melhores para nossas vidas: "a pessoa deve gostar do que faz, saber o que faz, gostar de gente, ter um projeto de vida, saber ouvir, ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, além de gostar mais do que tem e sonhar menos com o que não tem", sugeriu.

Maior causa de afastamentos

Segundo instrutor do dia, Gustavo Franco Veloso, servidor, médico clínico, do trabalho e nefrologista, abordou as ações da Secretaria de Saúde relativas ao gerenciamento do absenteísmo ligado ao transtorno mental, que é, segundo ele, a maior causa de afastamentos do trabalho na instituição. O especialista informou que 1/4 das faltas ao trabalho dos magistrados está relacionado ao transtorno mental.

As ações conjuntas dos serviços Médico, de Saúde Ocupacional e de Psicologia têm como principal objetivo, segundo o médico, fazer a identificação precoce dos magistrados e servidores em estado de sofrimento mental para encaminhá-los a um especialista ou para o Serviço de Psicologia do Tribunal.

Depois de informar que, em 2015, apenas 12% dos juízes substitutos se submeteram ao exame periódico do Tribunal e que apenas quatro deles o fizeram em 2016, Gustavo Franco alertou que a identificação precoce somente será satisfatória se o nível de adesão aumentar significativamente.

Ciclo de Formação discorre sobre humildade e saúde (imagem 2)

Dinâmica e oficina

Uma animada dinâmica de integração, por meio da formação de equipes e do desempenho de cada um nessa equipe para chegar ao resultado de interesse de todos, marcou o início das atividades promovidas com os juízes pelas psicólogas do TRT da 3ª Região Márcia Rachel Pires, Cláudia Maria Soares e Maria Luzia de Moraes Fonseca. Em seguida, elas promoveram uma "roda de conversa", chamada "estratégias para a vida", com o propósito, segundo Márcia Raquel, de "abrir um espaço de diálogo sobre as questões das vidas profissional e pessoal, seus impasses e impactos na saúde mental". Ao final, houve "pinga-fogo" de perguntas e respostas.

O Ciclo continuou à tarde com o tema "Administração e gestão judiciária", abordado pelos instrutores Maria Raquel Zagari Valentim, juíza titular da 5ª VT de Juiz de Fora e coordenadora acadêmica da Escola Judicial; Antônio Gomes de Vasconcelos, professor universitário (UFMG) e juiz titular da 45ª VT de Belo Horizonte; Gisele de Cassia Vieira Dias Macedo, juíza titular da 42ª VT de Belo Horizonte; e Pedro Paulo Ferreira, juiz substituto do TRT da 3ª Região.

Paixão e desafios da magistratura

Na tarde desta terça-feira (05), segundo dia do Ciclo de Atividades para Formação Inicial Complementar de Magistrados, promovido pela Escola Judicial do TRT da 3ª Região, ao abordarem o tema "administração e gestão judiciária", os juízes Maria Raquel Zagari Valentim, Antônio Gomes de Vasconcelos e Gisele de Cassia Vieira Dias Macedo, titulares, respectivamente, da 5ª VT de Juiz de Fora e da 45ª e 42ª Varas do Trabalho de Belo Horizonte, mais o juiz substituto Pedro Paulo Ferreira, puderam expor aos vitaliciandos destinatários do Ciclo a paixão pela magistratura, comum a todos eles,bem como tratar dos desafios que os espera no exercício da profissão.

Os instrutores falaram das experiências que tiveram no dia-a-dia nas Varas do Trabalho, o que deu certo e o que não deu, como era e como é atualmente. Também falaram da relação com a Administração do Tribunal, da relação entre os juízes, com os servidores e com os advogados. E aproveitaram para alertar sobre a necessidade de conhecimento dos trabalhos, das rotinas da secretaria de cada vara por onde os vitaliciandos passarem; da importância de se procurar saber dos afazeres de cada servidor, tanto para a otimização do trabalho quanto para proporcionar uma interação maior com a equipe e para poder absorver todos os conhecimentos de práticas exitosas de cada local, para possível aplicação por outras unidades que passarem.

Também, diante das colocações feitas pelos próprios vitaliciandos, foi discutida a crise orçamentária, com reflexão sobre a dificuldade de se manter um padrão de excelência, desejado por todos, em conjuntura considerada tão adversa. A conclusão pacífica foi que, principalmente nesse momento, é fundamental a coesão de todos: desembargadores, juizes titulares e juízes substitutos.

Ao final, formaram-se uma roda de discussão, quando trataram de questões como audiência una x audiência bipartida, relacionamento entre juiz titular e juiz substituto e gestão dos prazos processuais.

(Texto: Walter Sales / Fotos: Leonardo Andrade)

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