Inaugurada a Exposição Trabalho & Cidadania do TRT-MG

publicado 15/05/2013 19:53, modificado 15/05/2013 22:53

Como parte das comemorações do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região pelos 70 anos de promulgação da CLT, foi inaugurada nesta quarta-feira, dia 15, logo após a sessão solene do Tribunal Pleno, realizada com o mesmo propósito, a Exposição Trabalho & Cidadania, no hall do edifício-sede do TRT, concebida pelo Centro de Memória da instituição, vinculado à sua Escola Judicial.

Feito o corte simbólico da fita, que abriu oficialmente a exposição, e o descerramento da placa de inauguração pela presidente do TRT-MG, desembargadora Deoclecia Amorelli Dias, e pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, a visitação começou por um ambiente que retrata o contexto histórico da chegada dos portugueses ao Brasil e a concepção do trabalho para os povos que se encontraram aqui no século XVI: portugueses, africanos e índios, mostrado em pinturas e fotografias, em meio a poemas e textos de estudiosos e pensadores.

Inaugurada a Exposição Trabalho & Cidadania do TRT-MG (imagem 1)
Fotos: Leonardo Andrade e Madson Morais

Uma pequena rampa transportou a gente curiosa à Revolução de 1930, marco importante na regulação do trabalho e implantação da Justiça Especializada. Na TV, o discurso do presidente Getúlio Vargas, em 1º maio de 1941, na parte que declara instalada a Justiça do Trabalho no Brasil. No rádio, meio utilizado fortemente para a propaganda presidencial, um programa com gravações musicais da época. Nesse mesmo ambiente, continua o trabalho até os dias atuais. Na sequência, tomados de mais surpresa ainda, os visitantes se depararam com um banheiro que traz nas suas paredes as imagens dos trabalhadores na sua feitura (hidráulica, piso, revestimento, parte elétrica) e na sua limpeza. Realismo puro!- "Quase todos pretos ou quase pretos", diria Caetano Veloso!

Saindo do banheiro, um pequeno corredor com cenas de trabalho em jardins e máquinas de costura leva à sala das profissões, onde um telão exibe vídeos, como o de imagens e sons do trabalho. Em frente, um espelho de camarim, e à direita um imenso cabide com uniforme de diversos profissionais, de bailarina a mineiro. O presidente do TST e do CSJ, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, muito bem humorado, posou com uniformes dos trabalhadores nas minas de ouro e da seleção brasileira, e atendeu a muitos que quiseram uma foto com ele.

Para Reis de Paula, a exposição faz jus aos 70 anos da CLT. "Ela é moderna, dialoga com quem a visita, e relata o período que antecedeu à Consolidação, bem como esses 70 anos da sua vigência", avaliou o ministro, acrescentando que ela merece intensa divulgação, para ser visitada por todos.

Na sala de audiências, além do conjunto mobiliário padrão, de 1944, conservado pelo desembargador José Miguel de Campos na JCJ que presidia em Juiz de Fora, uma TV com gravações de audiências no processo em formato tradicional da 33ª VT de Belo Horizonte e em PJe, das 6ªs Varas do Trabalho de Betim e contagem. São audiências simuladas, que serão alí realizadas com participação dos alunos, pelo Programa Justiça & Cidadania, que Ana Maria Matta Machado Diniz, coordenadora do Centro de Memória do TRT-MG, quer agora priorizar.

O último ambiente é uma sala temática que permite acessar a história do TRT-MG, com informações institucionais do passado e contemporâneas. E, em vídeos, personalidades e pessoas diversas, desconhecidas do grande público, conceituam trabalho, justiça e cidadania. Noutra máquina, telas de pintores famosos retratando o trabalho humano; na parede, os artífices da obra que hoje emocionou tanta gente.

Obra idealizada e supervisionada por Ana Maria Matta Machado Diniz, a partir de conclusão da historiadora da UFMG doutora Betânia Figueiredo, a respeito da antiga exposição, que no entender dela já tinha cumprido sua finalidade. Depois de se emocionar com cada trabalho, a ponto de chorar várias vezes como ao ouvir a primeira versão do programa de auditório para o rádio, montado a partir de imagens da Cinemateca e áudio do Arquivo Nacional, Ana diz que sente-se realizada, feliz, em paz, tomada de uma alegria muito grande ao sentir que as pessoas gostaram do que foi feito.

E a exposição caiu mesmo no gosto dos visitantes. Não era necessário prestar muita atenção para ouvir manifestações espontâneas como: Que lindo! Maravilhoso! Fantástico! Estou encantada! E manifestações oficiais: "A exposição é extremamente educativa e instigante; um espaço vivo, que te permite interagir, participar; que propicia a oportunidade de contribuir na formação de cidadãos", disse a presidente do TRT-MG, Deoclecia Amorelli Dias, muito surpresa especialmente com a exposição do trabalho no banheiro, "interagindo com o que está vendo ali". Para o diretor-geral do tribunal, Guilherme Augusto "a exposição ficou harmoniosa, interativa, um estimulo à preservação da memória".

Mas os louros dessa conquista Ana Maria faz questão de compartilhar com a juíza Maria Cristina Diniz Caixeta, coordenadora do Comitê Gestor da Memória da Justiça do Trabalho, e representante do CSJT no Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname), órgão criado pelo CNJ - "uma memorialista militante", os historiadores Maria Aparecida Carvalhais Cunha e Rubens Goyatá Campante; com o pessoal da Memória: Celinha, Túlio, Daniel e Rita Lúcia, com os dirigentes que apoiaram e com todos mais que contribuíram com sua força física ou intelectual de trabalho para o êxito do projeto. (Walter Salles).

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