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Palestra do Setembro Amarelo aborda conceito de pulsão de morte na perspectiva psicanalítica

publicado: 25/09/2026 às 20h11 | modificado: 25/09/2026 às 21h23

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Resumo em texto simplificado

A palestra do Setembro Am arelo abordou, sob a perspectiva psicanalítica, a relação entre sofrimento psíquico, violência, trabalho e pulsão de morte. O psicólogo Fáb io Belo destacou os impactos de experiências traumáticas na infância e de contextos opressivos na saúde mental e defendeu relações sociais baseadas na ternura e na empatia. O evento também ressaltou a importância da prevenção ao adoecimento mental, das condições de vida do trabalhador e da preservação do tempo livre.

Saiba mais sobre esta iniciativa

Por ocasião da campanha do Setembro Amarelo, a Secretaria de Saúde do TRT, por meio da Seção de Assistência Psicológica, e o Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Trabalho Seguro promoveram, nesta sexta-feira (25/09), a palestra “Dor psíquica e morte: algumas leituras psicanalíticas”. O tema ficou a cargo do psicólogo Fábio Roberto Rodrigues Belo, que é professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui mestrado na área de Estudos Psicanalíticos e doutorado em Literatura Brasileira pela mesma universidade em que leciona. O evento iniciou às 14h e ocorreu no plenário 2 do edifício-sede do Tribunal.

O professor chamou a atenção para o fato de que as instituições humanas podem ser acolhedoras, mas também podem ser espaços onde uma hierarquia se expressa com violência, humilhação e sadismo. Conforme ele explicou, esses são comportamentos que decorrem de pulsões sexuais guiadas pelo inconsciente e que muitas vezes fogem ao ordenamento moral e racional do indivíduo. Um contexto de agressões pode fazer ressurgir um sentimento oriundo de condições traumáticas vividas na infância, desencadeando uma pulsão por morte. “Onde não impera a ternura, a crueldade é soberana”, afirmou Fábio Belo.

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Psicólogo Fábio Roberto Rodrigues Belo

A submissão a uma condição de opressão na infância pode gerar um tipo de identificação positiva, em que o indivíduo passa a reproduzir o comportamento opressor, mas também gera uma identificação negativa, na qual ele admira quem o oprime e passa a valorizar a posição de submisso. Isso é o que explica, segundo o palestrante, que indivíduos possam alimentar uma admiração por lideranças que atuam nessa lógica da violência e da opressão.

A ideia de morte, conforme explicou o palestrante, não se limita à morte física, mas também se relaciona com diversos tipos de pulsões masoquistas que podem se traduzir, por exemplo, na perspectiva de se matar para trabalhar. “Há muitas formas de se matar aos poucos e ainda se orgulhar disso”, explicou ele na palestra.

Uma das formas de o indivíduo se defender de situações adversas é a fragmentação, na qual ele se divide em dois e cria um personagem que atua como “anjo da guarda”. Mas essa é uma artimanha que pode ter efeitos limitados ao longo do tempo.

Persista

O psicólogo também acredita que, em última instância, os contextos agressivos vivenciados no âmbito profissional ou familiar são consequência de uma realidade sistêmica da sociedade, na qual o trabalhador vê suas condições de vida, seu bem-estar, seu tempo de convívio com a família e seu lazer sacrificados. Para ele, é necessário que a escola pública promova uma educação política para a democracia com ternura.

“Persista”, foi a mensagem que ele deu ao finalizar a sua palestra. Fábio Belo também citou que o debate pela redução da jornada de trabalho está relacionado ao tema da saúde mental, e que a preservação do tempo livre é essencial para minorar os fatores de adoecimento. Para ele, a identidade humana não pode se submeter ao trabalho, mas deve ser sustentada pelo brincar.

A apresentação gerou debate, com várias perguntas e comentários no plenário.

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Público participando da palestra

Abertura do evento

Antes da palestra, o presidente do Tribunal, desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira, fez a abertura do evento falando da coragem necessária para se tratar do tema. Ele ressaltou a importância de se olhar para o sofrimento alheio, lembrando que o transtorno mental é muitas vezes mais encoberto e menos visível que o físico.

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Presidente do TRT, desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira, e gestora do Programa Trabalho Seguro, juíza Ângela Castilho Rogedo Ribeiro

A gestora regional de 1º grau do Programa Trabalho Seguro, juíza Ângela Castilho Rogedo Ribeiro, pronunciou-se logo depois do presidente e defendeu o acesso à informação como forma de prevenir adoecimento mental. Ela disse acreditar que é necessário olhar para o outro de forma empática.

Campanha Setembro Amarelo

A campanha Setembro Amarelo surgiu em 1994, a partir da repercussão do suicídio de um jovem de 17 anos, nos Estados Unidos. Seu objetivo é promover, ao longo desse mês, a conscientização sobre a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental. No Brasil, a campanha é reconhecida desde 2015.

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