Violência no local de trabalho se combate com construção de cultura da paz

publicado 23/05/2019 19:38, modificado 24/05/2019 11:27

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Fotos: Beatriz Soares

A paz é uma maratona. A gente não alcança se for mais rápido, mas sim se persistirmos em caminhar pela paz e com a paz”, destacou o juiz de direito Haroldo Dutra Dias, em sua palestra Violência e Paz à luz do Evangelho, na tarde desta quinta-feira (23), no Plenário II do edifício-sede do TRT-MG, em BH. O evento foi aberto ao público externo e promovido pelo Comitê de Saúde e pelo Programa Trabalho Seguro. 

Ele afirmou que a comunicação é um dos principais elementos de conflito nas interações humanas, porque causa confusões. Disse que o caminho para a construção de uma cultura de paz no trabalho passa por ações concretas, como a adoção dos princípios da Comunicação Não-Violenta (CNV), desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg. “A paz é uma técnica, uma estratégia que exige muita inteligência. O pré-requisito da paz é a justiça”, explicou. 

Segundo ele, a CNV deve partir de uma observação isenta dos fatos, sem julgamentos. Também deve sempre levar em consideração como as pessoas se sentem em relação às situações no trabalho, bem como as necessidades de cada um. É preciso perguntar com clareza a cada um da equipe. Isso porque a CNV está voltada para a empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro e procurar entendê-lo. 

Haroldo Dutra ainda falou sobre os quatro compromissos presentes no livro de Don Miguel Ruiz, como: ser impecável com a palavra (usá-la para edificar e não destruir); não levar nada para o lado pessoal; não presumir antes de perguntar e dar sempre o melhor nas tarefas diárias. 

Formas de violência no trabalho

Em sua palestra sobre Violência no local de trabalho, o gestor nacional do Programa Trabalho Seguro, desembargador do TRT-MG Sebastião Geraldo de Oliveira, fez um resgate histórico da violência no Brasil, desde a escravidão até os dias atuais. Ele explicou as formas de violência atuais, como constrangimento, assédios sexual e moral, trabalhos escravo e infantil, metas abusivas e inatingíveis, comportamento homofóbico, cyberbullying e terror psicológico.

O desembargador também falou sobre os gestores tóxicos, que contaminam os ambientes de trabalho, citando os tipos: perverso, narcisista, paranoico, sádico, omisso/indiferente e até psicopata. Esses tipos reduzem a motivação, satisfação e criatividade das equipes, além de provocarem presenteísmo (indivíduo está fisicamente presente, mas a mente não está) e absenteísmo.

De acordo com ele, a solução para toda a violência está na gestão empática, porque a empatia é a força mais poderosa do mundo, só fica atrás do amor. “A paz não é a ausência de conflito, mas uma participação positiva em que o diálogo é encorajado. A evolução transforma violência em benevolência. Para isso, precisamos desarmar o espírito”, ressaltou.

Além dos palestrantes, a mesa de honra do evento foi composta pelo 1º vice-presidente do TRT-MG, desembargador Márcio Flávio Salem Vidigal, pelas gestoras regionais do Programa Trabalho Seguro, desembargadora Denise Alves Horta e juíza Maria Raquel Zagari Valentim, e pela juíza Gisele de Cássia Dias Macedo.

 

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