Anulação da subjetividade, um risco para a saúde

publicado 21/05/2010 13:08, modificado 21/05/2010 16:08

A importância do respeito à subjetividade para a saúde mental do indivíduo foi o tema que dominou os debates do painel intitulado Interlocução da Psicanálise com o direito e o mundo do Trabalho , do I Ciclo de Estudos Sobre Trabalho e Saúde Mental, na tarde dessa quinta-feira, 20 de maio, na Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte.

Segundo os debatedores, o indivíduo não pode ser “coisificado”, sob pena de sofrer adoecimento mental. E isso ocorre quando o “eu” não tem importância, a inteligência e outros atributos são preteridos em detrimento dos regulamentos gerais, nunca discutidos e pouco difundidos, importando, apenas, os números, metas e resultados.

Anulação da subjetividade, um risco para a saúde (imagem 1)

Discorrendo sobre a experiência do Centro de Direito e Psicanálise da Escola Judicial do TRT-MG, do qual é psicanalista, a psicóloga Judith Euchares Ricardo de Albuquerque disse que leva conceitos da psicanálise para que os juízes possam questionar um pouco mais o que se passa nas audiências e entender a subjetividade humana, que se apresenta a eles por meio das partes do processo, cada qual merecendo uma resposta própria, e não um tratamento padronizado.

A palestrante, com sua fala, mostra que além de a organização do trabalho impor a padronização ao trabalhador ela faz com que ele a leve também a terceiros, tratados, todos, como se fossem iguais. Exemplificando, a psicanalista disse não se poder pressupor que todo trabalhador litigante esteja em condição de inferioridade em relação ao empregador, pois há litígios em que a situação é inversa, logo a resposta do magistrado deve ser também diferente.

Anulação da subjetividade, um risco para a saúde (imagem 2)

Já o psicanalista francês René Fiori, presidente adjunto da Association Souffrances au Travail e membro de I’ Envers de Paris – rattaché à I’ Ecole de La Cause Freudienne, traduzido por Sebestien Kiwonghi Bizawu, narrou casos tratados por meio da psicanálise, em que o trabalhador chegou a pensar em acabar com a própria vida, um deles, por não se sentir mais útil depois de trabalhar 25 anos na mesma atividade e de ser advertido pelos patrões por cometer erros no serviço e não ter domínio de informática; noutro, o trabalhador encontrou no ambiente de trabalho o comportamento agressivo que vivenciara na infância.

Anulação da subjetividade, um risco para a saúde (imagem 3)

O debatedor Antônio Áureo Beneti, psiquiatra e psicanalista membro da Escola Brasileira de Psicanálise, sem discordar dos colegas, observou que essas situações acontecem porque há consentimento da vítima. No seu entender, ao constatar as causas do sofrimento o indivíduo deve se rebelar contra elas. Mas alertou: Há de suportar as conseqüências.

Ao final do debate, a juíza Martha Halfeld Furtado Mendonça Schmidt, titular da 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, em entrevista para o site do TRT, afirmou que 22% da população economicamente ativa da Europa sofre de estresse, e que nos países em desenvolvimento esse índice é de 50% a 60%. A magistrada disse que o problema é tão preocupante que foi incluída na agenda da OIT a busca da efetividade do trabalho digno. Segundo ela as doenças e acidentes do trabalho somente podem diminuir mediante adoção da cultura da prevenção, por meio da conscientização, e do diálogo, até porque saúde e segurança do trabalho são objetivos de toda a sociedade, interessando às empresas e suas organizações, aos trabalhadores e suas organizações, aos governos, aos juristas, às universidades, a todos os cidadãos.

Acompanhe pela TV TRT-MG a cobertura do 2º dia do evento. (Texto: Walter Sales; fotos: Leonardo Andrade)

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