Encontro discute papel das Cipas na prevenção de acidentes do trabalho

publicado 29/04/2010 12:35, modificado 29/04/2010 15:35

A desembargadora Cleube de Freitas Pereira, vice-presidente administrativo do TRT-MG, abriu, nessa quarta-feira, 28 de abril, no Hotel Dayrell, o I Encipa-MG – I Encontro Estadual das Cipas (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes). A magistrada ali esteve como representante do Tribunal junto às entidades sindicais e órgãos públicos promotores do evento em comemoração inédita do Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

A desembargadora destacou a importância do encontro lembrando que a iniciativa é mais um passo na direção da conscientização das empresas e dos trabalhadores no que se refere à saúde e segurança no ambiente de trabalho. "Está sendo proposta aqui uma reflexão sobre a prevenção de acidentes no sentido de capacitar os cipeiros para que possam atuar nas áreas de risco”, disse a magistrada, lembrando que essa atuação deve ser feita, não somente quanto à adequação dos equipamentos individuais de segurança, mas em todo o ambiente de trabalho. “É preciso que os integrantes das Cipas tenham legitimidade e autonomia de atuação para que possam identificar os pontos e áreas de risco nas empresas para prevenir os acidentes de trabalho”, enfatizou.

Durante o Encontro, os palestrantes citaram dados alarmantes sobre os acidentes de trabalho em Minas e no Brasil. Segundo informações da Procuradoria do Trabalho, em 2006, foram registrados 512 mil acidentes em todo o Brasil e, em 2008, este número saltou para 747.700. Um aumento de 48% em apenas dois anos. O número de mortes foi de 2.798 em 2006; 2.845 em 2007; e 2.757 em 2008. Os casos de invalidez permanente subiram de 812 casos em 2006 para 1.194 em 2008. Somente em Minas Gerais, no ano de 2006, foram notificados 52.600 acidentes de trabalho. Em 2008, foram 77.400, um aumento de 48%.

Os dados apontam ainda que a escalada dos acidentes de trabalho na indústria cresceu 43% nos últimos dois anos. Em todo o país, 1.329 trabalhadores morrem por dia vítimas de acidentes no trabalho e a cada hora são sete pessoas, uma média de um trabalhador por minuto. Os dados revelam também um aumento no número de trabalhadores que estão desenvolvendo doenças como lesões por esforços repetitivos, estresse e depressão, principalmente nos setores de serviços e empresas de telemarketing. A construção civil aparece como um dos principais responsáveis pelas mortes no setor da indústria. Em Belo Horizonte, só no ano passado, 30 operários foram vítimas de acidentes por queda de andaimes.

De acordo com presidente do Instituto Mineiro de Relações de Trabalho, Carlos Calazans, os principais fatores que contribuem para os acidentes de trabalho são o descumprimento da legislação por parte das empresas, a falta de programas de prevenção e controle de riscos e o trabalho informal, além da falta de independência das Cipas. Depois da apresentação dos dados, Carlos Calazans propôs um minuto de reflexão para homenagear as vítimas de acidentes e refletir sobre saúde e segurança no trabalho.

Já o vice-presidente da Amatra3, juiz Alexandre Wagner de Albuquerque, disse esperar que, a partir desse encontro e das perspectivas levantadas, em um curto espaço de tempo, os magistrados, as Cipas, os sindicatos e os empregadores contribuam, de fato, para a diminuição dos casos de acidentes de trabalho no Brasil. (Márcia Barroso)

Encontro discute papel das Cipas na prevenção de acidentes do trabalho (imagem 1)
Alexandre Wagner Albuquerque; Adriana Augusta Moura de Souza, procuradora-chefe, em exercício, do Ministério Público do Trabalho; desembargadora Cleube de Freitas Pereira; Carlos Calazans; Carlos Henrique Ramos Mello Filho, superintendente regional do trabalho e emprego substituto; Hércules Romualdo Dias, coordenador de segurança e saúde do trabalho do SESI/FIEMG (foto: Rachel Ameno)

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