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Solidariedade literária leva a leitura para jovens de centro socioeducativo

publicado: 30/09/2026 às 23h35 | modificado: 01/10/2026 às 17h26

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Resumo em texto simplificado

O projeto Solidariedade Literária, do TRT-MG, celebrou dez anos com a doação de cerca de 300 livros a adolescentes do Centro Socioeducativo de Ribeirão das Neves. A programação incluiu palestras sobre superação e projetos de vida, além da apresentação de um Clube do Livro para os jovens internos. O encontro foi encerrado com uma apresentação musical.

Saiba mais sobre esta iniciativa

O projeto Solidariedade Literária, promovido pela Biblioteca e pelo Centro de Memória do TRT mineiro, completou dez anos realizando uma edição que levou cerca de 300 obras para adolescentes internados no Centro Socioeducativo de Ribeirão das Neves. O evento, realizado dentro da unidade, na tarde desta quarta-feira (30/9), contou com a participação de 37 jovens internos. 

Desembargador apresenta exemplo de superação

Representando o Tribunal, o desembargador Antônio Carlos Rodrigues discorreu sobre a sua trajetória de vida como exemplo de superação. Nascido e criado dentro de uma comunidade, o desembargador lembrou ter lido seu primeiro livro quando tinha 16 anos de idade. Nessa primeira experiência, deparou-se com a obra intitulada Ibiquera, que é o nome de um indígena orientado pelo pajé de sua tribo a valorizar a juventude como bem máximo da vida.

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Desembargador Antônio Carlos Rodrigues discursa aos jovens internos

A referência serviu de inspiração para que aquele jovem que um dia foi açougueiro e ajudante de sapateiro, além de ter exercido outros ofícios, tenha chegado ao cargo de desembargador. O magistrado disse que a vida dá reviravoltas e estimulou os internos a terem esperança. “Dentro do coração de vocês é que está a oportunidade deste país ser um dia decente e vocês têm que encontrar a força interior”, foi a mensagem que ele deixou aos jovens do Centro.

Abertura do evento

Junto ao desembargador, a mesa de abertura também foi composta por Alexandre Rodrigues, que é diretor da escola estadual do Centro; por Vinícius Virgílio, que é diretor da Unidade Socioeducativa; por Roberta Costa, que é representante da Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo, que integra a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais; e por Márcia Lúcia Neves Pimenta, que é bibliotecária do Tribunal e coordenadora do projeto Solidariedade Literária.

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Bibliotecária Márcia Lúcia Neves Pimenta ao centro, com o diretor da unidade Vinícius Virgílio à esquerda e o diretor da escola Alexandre Rodrigues à direita

A bibliotecária Marcia Lúcia Neves Pimenta explicou aos adolescentes que o projeto vinha sendo pensado para eles desde fevereiro, envolvendo mais gente, além dos presentes ao evento.

Psicóloga incentiva jovens a cultivar projetos

A palestra da psicóloga Luciana Passeado valorizou a história individual de cada um dos adolescentes: “cada vida é um livro”, disse ela. Ela incentivou os jovens a terem orgulho das suas próprias histórias e contou a sua trajetória de superação, desde quando saiu do bairro pobre da Vila da Penha, na capital carioca. A palestrante questionou meios que a sociedade utiliza para despersonalizar a identidade, como formas pejorativas de tratamento ou apelidos.

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Psicóloga Luciana Passeado

Luciana Passeado destacou a importância de encontrar um sentido para a vida e de cultivar projetos de vida e sonhos. Ela disse acreditar que é possível encontrar um sentido até para o período de reclusão, e citou a família e os amores como incentivos para que a pessoa possa mudar sua vida. A psicóloga reconheceu o fato de que os nossos horizontes às vezes são limitados pela sociedade, mas concluiu com a ideia de que não são os condicionantes que determinam o que a gente é.

Projeto de Clube do Livro

Após a palestra, a estagiária da Biblioteca do TRT Alessandra de Souza Santos apresentou o projeto de Clube do Livro que vai acompanhar o Solidariedade Literária. A iniciativa prevê a realização de uma nova visita, já programada para acontecer entre novembro e dezembro deste ano. Nessa ocasião, será possível avaliar conjuntamente as obras lidas.

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Estagiária Alessandra de Souza Santos apresentando o projeto do Clube do Livro

Na apresentação da ideia, ela enfatizou a importância de uma interpretação conjunta das obras, defendendo essa prática como oportunidade para uma compreensão mais abrangente dos textos construída a partir de diversos pontos de vista. “Em sociedade, não tem como a gente ficar só com o nosso modo de pensar”, disse ela. Na sequência, foi feito um exercício em que diferentes pessoas liam uma mesma frase e cada uma delas dava sua própria interpretação.

Apresentação musical

A programação da tarde se encerrou com a apresentação musical do servidor Henrique Resende Silva. Com voz e violão, ele interpretou as músicas "É preciso saber viver", uma composição de Roberto Carlos e Erasmo Carlos conhecida na voz do grupo Titãs; "Tocando em Frente", de Almir Sater e Renato Teixeira; e "A Paz", versão brasileira de Heal the World, de Michael Jackson, interpretada pelo grupo Roupa Nova.

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Henrique Resende Silva, com a bibliotecária Marcia Lúcia Neves Pimenta à direita, fazendo a apresentação musical

Percepção dos adolescentes

A.L., jovem internado, avalia que há muito preconceito em relação aos internos e acredita que mais do que sonhos, é importante ter planos que possam ser colocados em ação. Ele pretende montar a sua própria empresa no futuro.

Outro adolescente escreveu uma carta, sem dar nome, na qual se identifica como pessoa curiosa para aprender coisas novas que gosta de ler sobre histórias reais. O jovem diz valorizar capas convidativas. “A leitura de livros é fundamental no conhecimento e muitas vezes a gente aprende coisas que só os livros têm para dar”, afirma ele. Na carta, ele diz querer ler um livro “que falasse sobre o que o mundo está se tornando e sobre como podemos ajeitar isso”, mas admite não saber se esse livro existe.

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