Exposição "Guimarães Rosa: Travessias do Imaginário"
Com abertura no dia 22 de outubro, a exposição “Guimarães Rosa: Travessias do Imaginário” é uma mostra coletiva que celebra a força poética, a invenção linguística e a profunda humanidade do autor mineiro, comemorando os 70 anos de publicação do livro Grande Sertão: Veredas. Reunindo obras dos artistas Cely Ferreira, Fátima Mirandda, Lenice Pitanguy, Marcos Esteves, Maria Inez Ribeiro, Patrícia Guimarães Pena e Rafael Abreu, a exposição busca aproximar o público da riqueza simbólica de seus textos em uma experiência estética que dialoga diretamente com o universo literário, os personagens, os mitos e as paisagens rosianas.
Nesta mostra, a arte é entendida como uma travessia: um percurso sensível que convida o espectador a percorrer, como Riobaldo, caminhos que misturam memória, invenção e transcendência. Fruto de uma imersão na poética de Rosa, o trabalho explora neologismos, musicalidade e a tensão permanente entre o real e o mítico, traduzindo visualmente aquilo que habita o imaginário do sertão.

À esquerda, escultura da Cooperativa Dedo de Gente do núcleo Sucataria Sagrada; à direita, a obra “Cabeça P & B”, de Marcos Esteves.
A exposição organiza-se em núcleos temáticos que conectam a trajetória de Guimarães Rosa — como médico, diplomata e escritor — à sua vasta produção, como o núcleo "Vida & Geografia", que evoca a infância, os sertões mineiros e a carreira de Rosa. O acervo reúne desde as colagens do núcleo "Palavras em Travessia", criadas pela artista Lenice Pitanguy, que integram frases marcantes do romance a signos místicos, até a "Neologismeira", uma instalação artística em forma de árvore cujas folhas exibem as invenções verbais do autor.

À esquerda, o bordado "Silêncio", de Patrícia Guimarães; à direita, garrafas reutilizadas do núcleo Sertão Sustentável.
A diversidade de linguagens e materiais é marca central da exposição, unindo artes visuais, literatura, sustentabilidade e inclusão social. Destacam-se as pinturas inspiradas nas paisagens, atmosferas e personagens do universo rosiano em "Veredas Visuais", a série de garrafas reutilizadas em "Sertão Sustentável", as esculturas de ferro do projeto "Sucataria Sagrada" criadas pela Cooperativa "Dedo de Gente", de Curvelo (MG), e as telas bordadas de "Tramas do Sertão", que transformam a palavra em textura e cor.

À esquerda, colagem de Lenice Pintanguy; à direita, a obra “Amor Perfeito”, de Cely Ferreira.
“Quando faço arte, é para que se transforme algo em mim, para que o espírito cresça”, refletia Guimarães Rosa. Essa dimensão transformadora se expande no espaço sensorial "Toque do Encanto", onde o público interage com obras táteis, impressões 3D e superfícies que reproduzem as veredas sertanejas, culminando na delicadeza do núcleo "Rosa Essencial", que sugere o silêncio e o mistério.

Obra tátil do núcleo Toque do encanto.
A arte, enquanto instrumento de conexão e crescimento do espírito, é celebrada nesta exposição como forma de inspiração e de valorização da literatura brasileira, convidando todos a ampliarem seu olhar sobre o mundo.

À esquerda, a obra "Arara do Brasil", de Maria Inez; no centro, a obra "Curvelo", de Rafael Abreu; à direita, "Travessias das Andorinhas", de Fátima Mirandda.
O Centro Cultural está localizado na Rua da Bahia, 112, e permanece aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A exposição estará aberta para visitação de forma gratuita.
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