Exposição “Assis Horta: a Democratização do Retrato Fotográfico através da C.L.T”
A exposição “Assis Horta: a Democratização do Retrato Fotográfico Através da C.L.T”, possui uma coleção de fotografias capturadas pelo fotógrafo diamantinense Assis Horta, a partir da década de 40, em seu estúdio em Diamantina.

Início da exposição “Assis Horta: a Democratização do retrato fotográfico através da C.L.T”. (Foto: Luiz Philippe Lopes)
O período em que as fotografias foram feitas tem relação direta com decreto aprovado pelo ex-presidente Getúlio Vargas, em 1943, da Consolidação das Leis do Trabalho (C.L.T), momento em que a foto 3x4 passou a ser exigida no documento. Por conseguinte, Assis Horta foi procurado por inúmeros trabalhadores a fim de fazer o registro fotográfico, necessário na Carteira de Trabalho.
Espaço destinado à exposição do Assis Horta no Centro Cultural do TRT-MG. (Foto: Luiz Philippe Lopes)
A partir daí, o fotográfo diamantinense deu início a uma pequena revolução sociocultural que imortalizou os rostos de dezenas de pessoas, em que até então o que era exclusivo apenas à elite da sociedade passou a ser fazer parte do mundo das outras pessoas, tornando-se um método de dignificar e eternizar os trabalhadores da época.
Sala com algumas fotos da exposição do fotógrafo Assis Horta. (Foto: Luiz Philippe Lopes)
Quem foi Assis Horta?
Nascido em Diamantina, Assis Alves Horta (1918 - 2018), foi um fotógrafo brasileiro que se tornou referência ao fotografar os primeiros retratos de operários legalmente registrados no Brasil, depois da Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943. Ainda na adolescência, começou a se interessar pela fotografia, aprendendo de forma autodidata e, posteriormente, assumindo seu próprio estúdio, o Foto Assis, que funcionou entre 1936 e 1967.
Retrato fotográfico do Assis Horta.
Seu trabalho começou a ganhar relevância quando trabalhou com o então Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, registrando prédio e paisagens de Diamantina para o processo de tombamento da cidade.
Após a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), tornou-se obrigatório uma foto 3x4 nas carteiras de trabalho e muitos trabalhadores procuraram o estúdio de Assis para fazer o registro. A fotografia que era exclusiva à elite da sociedade, passou a fazer parte do mundo dos trabalhadores que tiveram a oportunidade de serem fotografados e de possuírem uma imagem oficial de si mesmos, representando uma democratização da fotografia.
O fotógrafo Assis Horta ao lado do curador da exposição, Guilherme Horta, em 2013, quando a exposição estava a mostra em Brasília, no Palácio do Planalto.
Além dos retratos para documentos, através de fotos do cotidiano, famílias, trabalhadores e comunidades do interior, Assis foi o responsável por documentar a formação da cidadania e a modernização do Brasil no século XX.
A obra de Assis Horta é reconhecida por seu valor artístico, histórico e social. Seu acervo recebeu destaque nacional por meio de exposições e premiações, como o Prêmio Marc Ferrez da Funarte, sendo considerado um importante testemunho visual da vida dos trabalhadores brasileiros e da construção da identidade cidadã no país.
O Centro Cultural, localizado na rua da Bahia, 112, permanece aberto ao público, das 10h às 17h, de segunda a sexta-feira. A exposição está aberta para visitação e é gratuita.